Depois de mais de 20 anos a trabalhar com pessoas em processo de recuperação de adições e com as suas famílias, cheguei a uma conclusão que vai contra muito do que ainda se ensina: a adição não é o problema. É a resposta a um problema.
O que é realmente a adição
A adição é uma tentativa de regulação. Uma forma que o sistema nervoso encontrou para gerir dor emocional, solidão, trauma ou ausência de ligação.
Gabor Maté, um dos investigadores mais importantes nesta área, resume assim: 'A pergunta não é porque a dependência. A pergunta é porque a dor.'
Esta perspectiva muda tudo. Muda a forma como olhamos para quem está em adição. Muda a forma como tratamos. E muda os resultados.
O impacto na família
A adição raramente afecta apenas quem está em adição. Afecta toda a família — através de dinâmicas de co-dependência, papéis aprendidos de facilitação da dependência e controlo, e feridas relacionais que se acumulam ao longo do tempo.
O trabalho com famílias é tão importante quanto o trabalho com a pessoa em adição. Muitas vezes, é o primeiro passo possível — porque é a família que procura ajuda antes da pessoa em adição estar pronta para o fazer.
Como trabalho
O meu trabalho em adições parte de uma abordagem de compaixão — não de consequências. Isto significa que o foco não está nos comportamentos problemáticos, mas nas necessidades não satisfeitas que os alimentam.
Trabalho com adultos em processo de recuperação, com famílias que acompanham alguém nesse caminho, e com pessoas em co-dependência. Faço também acompanhamento em situações de dependência emocional — que partilha muitas das dinâmicas da adição a substâncias.
Uma nota sobre 'vício'
Prefiro o termo adição ou dependência a 'vício'. A linguagem importa: 'vício' carrega um julgamento moral implícito que não serve o processo de recuperação. Adição é uma resposta de sobrevivência — não um defeito de carácter.
Se este tema ressoa com o teu processo e queres saber mais sobre como trabalho, estou disponível.
Marcar Sessão Conhecer o Guia Terapêutico →